Povo de Bahá: Pela imensidão do espaço

Por David Langness.

Ó FILHO DO HOMEM!

Se te fosses precipitar pela imensidão do espaço e atravessar a vastidão do céu, nem assim encontrarias descanso, salvo na submissão ao Nosso mandamento e na humildade perante a Nossa Face. (Bahá’u’lláh, As Palavras Ocultas, do árabe, #41)

O nosso imenso universo contém tantos mistérios.

Na semana passada, eu e a minha esposa vimos um filme maravilhoso chamado Einstein e Eddington. Era sobre a relação entre o grande cientista alemão Einstein e seu colega britânico do qual provavelmente nunca ouviram falar, Sir Arthur Stanley Eddington. Ver este filme (uma produção conjunta da HBO e da BBC) fez-me querer saber mais e reacendeu o meu desejo nascente, mas persistente, de estudar física. Assim, fiz uma pequena pesquisa elementar e descobri que Eddington foi um verdadeiro cientista. Ele colaborou com Einstein na teoria da relatividade; tornou-se o primeiro a realmente provar que a gravidade desvia a luz; teorizou correctamente o primeiro entendimento verdadeiro sobre o que acontece dentro de uma estrela; e escreveu livros didáticos sobre física e astronomia que ainda hoje são usados.

Arthur Stanley Eddington

Eddington – Quaker, internacionalista, pacifista e objector de consciência durante a Primeira Guerra Mundial – também acreditava no que chamava visão idealista do mundo. O seu argumento científico, profundamente místico, é mais ou menos assim: tudo o que sabemos sobre o mundo objectivo é a sua estrutura, as coisas que podemos ver e medir. Mas a estrutura do mundo objetivo espelha precisamente a nossa própria consciência – o que significa que a realidade e a nossa consciência são uma realidade inseparável. Por outras palavras, pensou Eddington, não existe um “mundo real” separado da nossa mente consciente.

Perceberam?

Eu também não, mas acho isto fascinante. Tal como centenas de milhares de pessoas naqueles tempos anteriores à TV, aos jogos de vídeo e ao Facebook, que acorriam às palestras de Eddington, tornando-o imensamente popular entre o público na Inglaterra e noutros países. Eddington também escreveu e deu palestras sobre as implicações filosóficas e religiosas da nova física da relatividade e da teoria quântica. Escreveu livros populares, deu entrevistas para jornais e rádios e, em geral, fez a ligação, durante toda a sua vida, entre as fronteiras da ciência e as verdades mais significativas da fé. Tal como ‘Abdu’l-Bahá quando visitou a Inglaterra uma década antes, Eddington proclamou a harmonia essencial entre a investigação científica e o misticismo religioso:


A religião e a ciência estão interligadas e não podem ser separadas. Estas são as duas asas com as quais a humanidade deve voar. Uma asa não é suficiente. Toda religião que não se preocupa com a ciência é uma mera tradição, e isso não é o essencial. Portanto, a ciência, a educação e a civilização são as necessidades mais importantes para a vida religiosa plena. (‘Abdu’l-Bahá in London [1911], pp. 28-29)


Interpretar a religião do homem para a ciência do homem não apenas em termos mutuamente inteligíveis, mas mutuamente interdependentes, permanece, como acredito, a grande tarefa do nosso tempo se quisermos ver qualquer ordem estável nos eventos ou ter algum sentido consistente de experiência. (Eddington, The Gifford Lectures, 1927).

Como muitos físicos quânticos, o trabalho de Eddington levou-o às questões essencialmente espirituais do universo:


No sentido místico da criação ao nosso redor, na expressão da arte, no anseio por Deus, a alma eleva-se e encontra a realização de algo plantado na sua natureza. O desejo pela verdade tão proeminente na busca da ciência, um alargar do espírito do seu isolamento para algo mais além, uma resposta à beleza na natureza e na arte, uma Luz Interior de convicção e orientação! O espírito humano pertence ao mundo invisível. A alma alcança o mundo invisível. (Eddington, The Gifford Lectures, 1927).

Na frase citada das Palavras Ocultas, Bahá’u’lláh torna esta poderosa observação ainda mais profunda – “precipitar pela imensidão do espaço”, diz Ele, não daria descanso ao nosso espírito até que desenvolvêssemos “humildade perante a Nossa face”.

Bahá’u’lláh usa o pronome “Nosso” duas vezes neste aforismo místico. Ele quer dizer, presumivelmente, que Deus e os Profetas falam com uma única voz para a humanidade. Eles dizem-nos que nossa felicidade e descanso finais só podem vir quando começamos a ver além dos aspectos físicos da existência e a discernir a face de Deus em toda a criação. Assim, tal como a vastidão do céu nos olha com a sua imensidão quando olhamos para o universo, Deus olha para nós quando alcançamos interiormente o mundo invisível.


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Texto original: Speeding Through the Immensity of Space (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.


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